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terça-feira, 12 de abril de 2011

PRESIDENTE

DR.ANTONIO AMORIM PEIXOTO
PSIQUIATRA E PSICANÁLISTA

IAMPST-INSTITUTO AMAS DE PSICANALISE

DR.ANTONIO AMORIM PEIXOTO - PRESIDENTE
DR.FLAVIO LOPES -VICE - PRESIDENTE

IAMPST - Instituto Amas de Psicanalise e Terapias

DR.ANTONIO AMORIM PEIXOTO -PRESIDENTE
DR.FLAVIO CESAR LOPES -VICE - PRESIDENTE
PROFªITALA MELO - COORDENADORA REGIONAL








Terapia em grupo o proposito

Você já parou para pensar por quanto tempo

de sua vida você fica ansioso?

Quanto custa essa ansiedade toda?





* Direitos Autorais deste texto- © Dra Olga Inês Tessari



*o texto está registrado de acordo com a Lei de Direitos Autorais







* Veja indicação de leitura de outros textos no final da página *









A ansiedade é uma sensação difusa, inexplicável que provoca sintomas diferentes para cada pessoa: falta de ar, taquicardia, nervosismo, suores, problemas digestivos (prisão de ventre, enjôos, gases), fome exagerada (gula), medos que se tornam irracionais e sem sentido, ficar irritado e provocar brigas e discussões por nada, ingestão exagerada de bebidas alcoólicas ou calmantes, etc...





A manifestação dos sintomas incomoda tanto que os ansiosos procuram qualquer forma para acabar com eles: quem come em excesso e engorda demais, procura uma dieta milagrosa, recorre a cirurgiões plásticos ou faz grandes sacrifícios e loucuras para emagrecer rápido(muitas vezes provocando outros problemas de saúde); aqueles que tem medos , como o de dirigir um veículo, por exemplo, fazem aulas e mais aulas sem fim na auto--escola (sem nunca acabar com o medo); as pessoas que tem falta de ar e taquicardia , achando que terão um infarto, fazem uma via sacra por vários médicos , submetem-se a fazer uma infinidade de exames e jamais acreditam quando os resultados são normais.



Veja bem: as pessoas fazem várias tentativas para acabar com os sintomas que a ansiedade provoca e nenhuma delas resolve o problema porque são tentativas para acabar com os sintomas FÍSICOS que ela traz. O tempo passa, o problema cresce, vem a sensação de perda do controle e isto gera mais ansiedade ...





É um círculo vicioso sem fim...



O problema não se resolve porque as pessoas tratam apenas dos sintomas físicos provocados pela ansiedade , quando, na realidade, é preciso tratar as causas da ansiedade!!

A ansiedade é gerada pelo choque de exigências conflitantes, pela mania de perfeição, por não querer magoar os outros, por impulsos autodestrutivos, por possuir uma auto-imagem ilusória, por medo das críticas, medo de errar, por preocupações excessivas, por inveja do outro e querer ser igual a ele, por atitudes e pensamentos equivocados que aprendemos a partir da infância, entre outros fatores.





E como resolver?



Respire corretamente! (Ajuda a relaxar!)



Pratique exercícios físicos regularmente!



Procure um(a) psicólogo(a)! Assim você vai aprender a lidar com as causas da ansiedade!





LEMBRE-SE!



O passado é irrecuperável, não pode ser alterado!



Mas o futuro depende das nossas atitudes agora, no presente!



A psicoterapia (tratamento psicológico) faz você voltar no tempo, descobrir as causas da sua ansiedade, aprender a lidar com elas, superá-las e , com certeza, SER FELIZ!



O propósito dos grupos de terapia
O propósito dos grupos de terapia é levar os participantes para seus ‘eus’ naturais? Se for assim, o esforço para ser natural não é artificial? Se não, qual é a diferença essencial entre natural e artificial?

O propósito dos grupos de terapia não é levar os participantes a seus eus naturais — de modo nenhum. O propósito é levá-los ao ponto onde possam perceber suas artificialidades. Ninguém pode levá-lo a seu eu natural; não pode haver método, técnica ou estratégia que possa levá-lo a seu eu natural, pois tudo que você faça o tornará mais e mais artificial.
Então qual é o propósito de um grupo de terapia? Ele simplesmente o deixa consciente dos padrões artificiais que você desenvolveu em seu ser, ele simplesmente o ajuda a perceber a artificialidade de sua vida, isso é tudo. Ao perceber isso, ela começa a se dispersar. Percebê-la é aniquilá-la, pois uma vez percebido algo artificial em seu ser, você não pode persistir com ele por muito mais tempo. E ao perceber algo como artificial, você também sentiu o que é natural — mas isso é indireto, vago, não claro. O que é claro é isto: você percebeu que algo é artificial em você, e com isso você pode sentir o natural. Ao perceber o artificial, você não pode apoiá-lo mais. Ele existe devido a seu apoio — nada pode existir sem o seu apoio; sua cooperação é necessária.
Se você coopera, algo existe. Certamente o artificial não pode existir sem a sua cooperação. A partir de onde ele obterá a energia? O natural pode existir sem a sua cooperação, mas o artificial não. O artificial precisa de constantes suporte, cuidado e controle. Uma vez percebido que algo é artificial, sua ligação a ele se torna frouxa, seu punho se abre espontaneamente.
O grupo não é uma estratégia para abrir o seu punho, mas simplesmente para ajudá-lo a perceber que o que você está fazendo não é natural. Nessa própria percepção, a transformação.
Você pergunta: O propósito dos grupos de terapia é levar os participantes para seus eus naturais?
Não, este não é o propósito. O propósito é simplesmente torná-lo consciente de onde você está, do que você fez a você mesmo — que mal você fez continuamente, e ainda está fazendo, que feridas você está criando em seu ser. Em cada uma das feridas está sua assinatura — este é o propósito do grupo, torná-lo alerta sobre a sua assinatura, perceber que ela é assinada por você, que ninguém mais fez isso, que todas as correntes que você tem à sua volta são criadas por você, que a prisão na qual você vive é o seu próprio trabalho; ninguém está fazendo isso para você.
Ao perceber isto, que "Estou criando minha própria prisão", por quanto tempo você pode continuar a criá-la? Se você quer viver na prisão, esse é um outro caso — mas ninguém jamais deseja viver na prisão. As pessoas vivem lá porque pensam: "Os outros estão criando as prisões, o que podemos fazer?". Elas sempre ficam atirando a responsabilidade sobre uma outra pessoa. Através dos tempos, elas criaram novas e diferentes estratégias, mas o propósito permanece o mesmo: jogar a responsabilidade sobre outro alguém.
E você ficará surpreso com as desculpas que o ser humano tem tentado encontrar. Antigamente as pessoas costumavam pensar: "Essa é a maneira que
Deus nos fez, então a responsabilidade é dele — o que podemos fazer? Somos apenas criaturas, e somos da maneira que ele nos fez. Temos que viver essa miséria, isso está destinado".
Esse era um truque. Você se livra de toda responsabilidade. Mas acontece que quando um truque é usado por muito tempo, ele se torna um chavão e não funciona mais; as pessoas ficam fartas dele e começam a procurar por novas idéias, mas o propósito permanece o mesmo.
Marx diz que é a sociedade, a estrutura econômica da sociedade — a exploração, os exploradores, os imperialistas, os capitalistas, eles estão fazendo o mal, são a razão. Novamente você se livra da responsabilidade. O que você pode fazer? A escravidão é imposta sobre você, você foi feito miserável. A menos que a revolução venha, nada vai acontecer. Assim você pode adiar.
E a revolução nunca vem, ela ainda não aconteceu. Nem na Rússia, nem na China, nem em lugar algum. A revolução nunca vem, ela é apenas um adiamento. As pessoas estão tão infelizes na Rússia quanto em qualquer outro lugar, tão no lamaçal da mente quanto em qualquer outro lugar. A inveja, a raiva, a violência são iguais tanto na Rússia quanto em qualquer outro lugar... nada mudou.
Freud diz que é por causa da educação. Você foi educado de uma maneira errada em sua infância — o que você pode fazer? Isso já aconteceu, agora não há como desfazê-lo. No máximo, você pode aceitar e viver isso, ou pode continuar a brigar desnecessariamente, mas não há esperança.
Freud é um dos maiores pessimistas que jamais existiu. Ele diz que não há esperança para o ser humano, pois o padrão é estabelecido na infância — e para sempre. Então você fica repetindo o padrão, e novamente a responsabilidade é jogada fora. Assim, sua mãe é a responsável. E a mãe pensa, o que ela pode fazer? Sua própria mãe é responsável... e assim por diante.
Essas são todas estratégias, mas o propósito é o mesmo — diferentes estratégias para o mesmo propósito. Qual é o propósito? Tirar a responsabilidade de seus ombros.
A terapia de grupo é para torná-lo consciente que nem Deus nem a sociedade nem seus pais são responsáveis. Se houver alguém que é responsável, é você. Um processo de grupo é um martelar neste simples fato: você é o responsável. E esse martelar tem uma grande importância, pois quando você entende que "Isso sou eu, eu próprio estou fazendo mal a mim mesmo", então as portas se abrem, há esperança e algo é possível.
A revolução é possível através da responsabilidade, da responsabilidade individual. Você pode se transmutar, pode abandonar esses velhos padrões. Eles não são o seu destino, mas se você os aceitar como o seu destino, eles se tornam o seu destino. É tudo uma questão de apoiá-los ou não.
E não estou dizendo que os pais ou a sociedade não fizeram algo a você, lembre-se. A sociedade, os pais, a educação e os sacerdotes fizeram muito. Mas ainda assim, a chave suprema está em suas mãos. Você pode abandonar isso, pode abandonar todo o condicionamento. Tudo que eles fizeram, você pode eliminar, pois no cerne mais profundo sua consciência permanece sempre livre. Esse é o propósito de um grupo de terapia, trazer esta verdade para casa: você é responsável.
"Responsabilidade" é a palavra mais importante num processo de terapia de grupo. Ninguém deseja assumir a responsabilidade, pois ela machuca. Só de perceber: "Sou a causa de minha infelicidade", machuca muito. Se alguém mais é a causa, a pessoa pode aceitá-la, a pessoa é impotente. Mas se eu sou a causa de minha infelicidade, isso machuca, vai contra o ego, contra o orgulho.
É por isso que a terapia de grupo é um processo difícil e árduo. Você quer escapar — dos grupos Encontro, Tao, Terapia Primal... Por que você quer escapar? Porque você sempre acreditou que estava perfeitamente certo e bem — os outros tem prejudicado você.
Agora toda a coisa precisa ser mudada, você precisa colocar tudo de ponta cabeça. Ninguém está fazendo nenhum mal a você, e se eles estiverem fazendo, é através de sua cooperação. Portanto, no final das contas você é responsável, você escolheu isso. Você diz: "Meu companheiro está me prejudicando", mas você escolheu este companheiro, e na verdade, somente para que ele possa fazer mal a você. Você queria se prejudicar, por isso escolheu este companheiro, esta companheira.
Observe os homens que ficam mudando de companheiras. Você ficará surpreso — repetidamente eles encontram o mesmo tipo de mulher. É difícil encontrar o mesmo tipo de mulher, mas eles encontram. E dentro de seis meses elas estão de novo se queixando, e as queixas são exatamente as mesmas.
Ouvi dizer de um homem que se casou oito vezes, e repetidamente conseguia encontrar o mesmo tipo de mulher. Perceba o ponto: ele tem um certo tipo de mente, um certo condicionamento. Neste condicionamento, somente um certo tipo de mulher lhe interessa. Uma loira ou uma morena — um certo tipo de mulher lhe interessa. O nariz comprido, os olhos escuros, ou qualquer coisa. Ele fica sempre atraído por um certo tipo de mulher. E então essa mulher começa a fazer as mesmas coisas, e ele fica perplexo, pois estava pensando que estava mudando de mulher.
Você está mudando de mulher, mas não mudou sua mente! Assim, sua escolha permanece a antiga, pois aquele que escolhe é antigo. Isso não vai ajudar; você estará na mesma armadilha. A cor ou o material da armadilha pode mudar, mas a armadilha está lá, e você será constantemente pego. E a mesma infelicidade surgirá.
Terapia de grupo é um grande processo de entender "O que fiz para mim mesmo!". E se você for ainda mais fundo... onde nenhum grupo de terapia já foi, nem mesmo a terapia primal. Mas Buda foi mais fundo; ele diz: "Se você escolheu um certo tipo de pais, isso também é sua escolha".
Perceba o sentido. Milhões de tolos estavam fazendo amor quando você estava pairando para nascer. Mas você escolheu um certo casal — por quê? Você deve ter uma certa idéia; trata-se de sua escolha. E então você diz: "Meus pais me prejudicaram". Em primeiro lugar, por que você os escolheu? Então sua companheira, seu companheiro... e você acha que eles causaram dano? Então a sociedade — quem criou esta sociedade? Você a criou! Ela não vem do nada.
O mendigo na rua não aparece de repente do nada. Nós o criamos. Se você quer ser rico, alguém tem que ser mendigo. E ao ver o mendigo você lamenta muito. A quem você está tentando enganar? E você ainda carrega a idéia de ficar rico. Se você quer ficar rico, alguém vai ser mendigo. Se você quer se tornar alguém, então alguém não será capaz de alcançar essa fama, esse nome. Este é um mundo competitivo. Você não quer guerras, mas você é violento — em tudo. E você condena as guerras.
E você viu os pacifistas e suas passeatas? Quão violentos eles parecem! Seus slogans, seus gritos contra a guerra — e mais cedo ou mais tarde a passeata se transforma num tumulto. E eles estão queimando carros, destruindo lojas, incendiando ônibus e trens, atacando a polícia... e eles foram para protestar contra a guerra!
Ora, o que está acontecendo? Essas são pessoas violentas; a guerra é apenas uma desculpa. Seus protestos nada mais são do que suas expressões de violência. Eles não estão preocupados com a guerra, e a estão usando como um pretexto.
Esta sociedade é criada por você, e então você diz que a sociedade é responsável.
Ninguém é responsável, exceto você. Esta é uma das verdades mais difíceis de aceitar, porém quando você a aceita, ela traz grande liberdade e cria grande espaço, pois com isso, uma outra possibilidade imediatamente se abre: "Se eu sou responsável, então posso mudar. Se eu não for responsável, como posso mudar? Se eu próprio estou fazendo isso, então isso machuca, mas também traz uma nova possibilidade — posso parar de me ferir, posso parar de ser infeliz".
Um processo de grupo não é para torná-lo natural, mas para torná-lo ciente de sua falta de naturalidade, de sua falsidade.
O propósito dos grupos de terapia é levar os participantes para seus eus naturais?
Não, de modo nenhum. O propósito é apenas deixá-los cientes do eu não-natural. E então o eu natural vem espontaneamente. Ninguém pode trazê-lo — quando o artificial desaparece, o natural é encontrado. O natural sempre esteve presente, oculto sob o lixo. Uma vez ido o artificial, você é natural. Você não se torna natural; você sempre foi natural. Como alguém pode se tornar natural? Todo o tornar-se o levará à artificialidade.
Se for assim, o esforço para ser natural não é artificial?
Sim, o esforço para ser natural sempre é artificial. Mas entender a artificialidade não é o esforço para ser natural; é simplesmente entender. Ao perceber que você esteve tentando tirar óleo da areia, quando você percebe a inutilidade disso, você abandona todo o projeto. Ao perceber que você estava tentando atravessar uma parede e machucou sua cabeça, ao perceber isso, você pára de tentar. Você começa a procurar pela porta.
Sim, é exatamente assim.
Se não, qual é a diferença essencial entre natural e artificial?
Natural é aquilo que lhe foi dado como uma dádiva — uma dádiva do todo. O artificial é aquilo que você criou — por ensinamentos, escrituras, caráter, moralidade. O artificial é aquilo que você impôs sobre o natural, o dado. O natural é de Deus, o artificial é de você mesmo. Tire tudo que você impôs sobre você mesmo, e Deus explodirá em mil flores em seu ser.
Alguém pergunta a Jesus: "Qual é a sua mensagem fundamental?". E ele responde: "Pergunte ao peixe, à ave e à flor".
O que ele quer dizer com isso? Ele está dizendo: Pergunte à natureza!
Minha mensagem é: Permita que a natureza tome posse de você; não tente criar nenhum caráter. Todos os caráteres estão errados. Seja sem caráter. Não crie nenhum tipo de personalidade; todas as personalidades são falsas. Não seja uma personalidade.
Então, lentamente você perceberá algo surgindo do cerne mais profundo do seu ser. Isso é natureza, e sua fragrância é notável; ela é boa, jamais ruim. E ela não é cultivada, de maneira nenhuma. Daí ela não ter qualquer tensão em si, nenhuma ansiedade; você não precisa mantê-la.
A verdade não precisa ser mantida. Somente mentiras precisam ser arranjadas, mantidas, precisam muito cuidado e manutenção; e ainda assim elas são mentiras e nunca se tornam verdades. E somente a verdade liberta.
A terapia disponível aqui não é para torná-lo natural. Ninguém pode fazer você natural — Deus já fez isso. O problema não é aprender a ser natural, mas como desaprender o artificial.

OSHO - Take It Easy - pergunta nº 2 do discurso nº 12
Tradução: Sw. Anand Nisargan

segunda-feira, 11 de abril de 2011

IAMPST-INSTITUTO AMAS DE PSICANÁLISE

Quem somos? O que Fazemos?
O IAMPSIT – INSTITUTO AMAS DE PSICANÁLISE E TERAPIA
Visa à transmissão do saber e do pensamento psicanalítico da contemporaneidade. É um curso que articula a teoria e a pratica Psicanalítica viabilizando a Formação de profissionais, capazes do exercício de sua prática.
O curso de Psicanálise é diferenciado de outros, pois a Psicanálise possui teoria e métodos específicos. A metodologia empregada no curso de Formação possui bases e princípios bem definidos, ou seja, o tripé da psicanálise teoria, análise pessoal e supervisão clínica.
1. A metodologia constará de: aulas Presenciais; Analise Pessoal, estudos de casos clínicos; pesquisas, leituras, trabalhos individuais e em grupo; socialização do conhecimento através de: discussão de filmes, peças teatrais, sob o enfoque analítico; grupos de estudo; e aplicação de técnicas individuais e em grupo que se fizerem necessárias.
Aulas presenciais O conteúdo será trabalhado em aulas expositivas; estudos de casos clínicos; pesquisas, leituras, trabalhos individuais e em grupo será contado o estudo em casa. A carga horária total de aulas é de 600 horas.

2- Análise pessoal A Psicanálise, enquanto teoria é fascinante e na vivência analítica esta teoria ganha vida, significado e compreensão. O psicanalista galgará êxitos ao atuar e trabalhar com as dores e conflitos de seus Analisandos quando tiver trabalhado e elaborado, em contínuo processo de análise, os seus próprios conteúdos. Por este motivo, a análise pessoal faz-se como requisito obrigatório em sua formação, pois seu desenvolvimento e desempenho, como futuro profissional, dependerão de sua construção psicoemocional. Neste sentido, o IAMPSIT, requer do aluno aspirante à psicanalista, o cumprimento de 60 horas de análise pessoal que, ao final do curso, deverá ser atestado por seu psicanalista, comprovando a quantidade de horas de análise realizadas.



3- Grupos de Estudo,
O grupo de estudos é uma pratica que, além de auxiliar os alunos na compreensão da teoria, enriquecerá a aprendizagem através do intercâmbio de idéias obtidas nas interpretações individuais, ampliando o campo de percepção de cada um. O IAMPSI propõe a formação de grupos de estudos, como atividade extraclasse, sem nenhum custo extra ao aluno. Para tanto, será agendado com o grupo, um dia da semana, no qual se reunirão com um analista que irá acompanhar e auxiliar na compreensão dos textos. Ao todo, serão requeridas um mínimo de 300 horas de estudos em grupo.

4- Estágio
O estágio, em si, é um grande facilitador da prática na formação profissional. O IAMPSIT, Ajudara o futuro Psicanalista a compor com pacientes após ter cumprido metade do curso e estiver com as analises em dias atestada pelo Psicanalista responsável 40 horas de estagio clínico comprovado.

5- Supervisão
O atendimento analítico é diferenciado de qualquer outra terapia, pois lida-se com conteúdos inconscientes. O atendimento analítico exige: ética, postura, escuta analítica e conhecimento da teoria. Ao iniciar os atendimentos relativos ao estágio, o aluno deverá escolher um analista que fará a supervisão destes atendimentos. A supervisão é imprescindível e garante ao aluno apoio e segurança para o início e continuidade dos atendimentos, além de garantir Os alunos deverão cumprir 40 horas de supervisão individual.

6- seminário em grupo
100 horas de seminário em grupo.


7-Horas de Seminário
Ao final do curso o aluno deverá apresentar comprovante de 200 horas de participação em Palestras, seminários, Congressos, etc. As atividades extracurriculares poderão ser divididas em:
Entrega de trabalho especificando o evento e relacionando-o à teoria analítica.

8- Monografia
Ao final do curso o aluno deverá apresentar uma monografia. Um dos professores de Metodologia Científica, que fazem parte do corpo docente da IAMPSIT, fará as orientações metodológicas do trabalho. Caberá ao aluno escolher o analista que o auxiliará quanto ao tema, conteúdo e desenvolvimento do trabalho. Serão convidados alguns professores do IAMPSIT e alguns professores de outras Instituições, que irão avaliar o trabalho escrito e a apresentação.



9-Entrega de certificado
O certificado de Conclusão do curso somente será entregue após serem cumpridos todos os requisitos:
75 % de freqüência às aulas em cada módulo.
A carga horária total de aulas é de 600 horas PRESENCIAIS.
60 horas de análise pessoal
300 horas de estudos em grupo.

40 horas de estagio clínico comprovado.

40 horas de supervisão individual.

200 horas de participação em Palestras, seminários, Congressos, etc.

100 horas de Seminário em grupo

TOTAL DE CARGORÁRIA DO CURSO – 1.340 hrs

domingo, 10 de abril de 2011

PIONEIROS

Pioneiros da Psicanálise

COMO LIDAR COM A DEPRESSÃO PÓS -PARTO

Quando você decide ter um filho, a expectativa é grande para saber como é o rostinho dele, se está saudável ou com quem parece. É a realização do seu sonho. Mas, de repente, você começa a se sentir triste, angustiada, com muita facilidade de chorar por coisas que antes não te comoviam. Esse sentimento é chamado “baby blues” (ou depressão pós-parto num estágio bem leve) e atinge entre 10 e 15% das mães. Há também quadros de d

epressão pós-parto mais acentuados, que se manifestam em cerca de 50% das mulheres que acabaram de ter um filho. A mãe não tem vontade de fazer nada, só sente tristeza, e tudo o que quer é desaparecer daquela situação.
Uma pesquisa publicada pelo Archives of Women’s Mental Health acaba de confirmar o que já era pregado por muitos especialistas. Em todos os estágios de depressão pós-parto, a mulher precisa de apoio para sentir segurança e se recuperar. Além da culpa das hormonas e de uma possível tendência a ser deprimida, segundo o estudo, a tristeza pode surgir também por conta das dúvidas da mãe quanto à eficácia dos cuidados que ela tem com a criança. Como esse sentimento surge, geralmente, quando a mulher chega em casa e não tem mais a assistência de enfermeiras e médicos, o papel do pai da criança é fundamental, pois ele é a pessoa mais próxima da mãe naquele momento.

Os autores do estudo analisaram um grupo de mães ao completarem duas semanas e seis meses após o nascimento. Houve casos em que a depressão se manifestou apenas na segunda semana, outros apenas no sexto mês e, ainda, aqueles que mantiveram a sensação intensa de angústia durante os dois períodos.

As mães que se mostraram depressivas apenas na segunda semana depois da chegada do bebê apresentaram um aumento da eficácia no cuidado com os filhos entre a segunda semana e o sexto mês, o que resultou na diminuição gradual dos sintomas físicos da depressão. Já aquelas que manifestaram tristeza no sexto mês, relataram a redução do apoio social ao longo do mesmo período. A partir dos depoimentos, os estudiosos perceberam que ter pessoas presentes durante o pós-parto pode diminuir a intensidade da tristeza da mulher ou, até mesmo, acabar com a depressão, pois ela pode dividir preocupações, deveres e momentos de insegurança.

Perigo para a amamentação
Outra pesquisa realizada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) mostra que mães com sintomas de depressão pós-parto têm mais chance de deixar de amamentar o bebê antes do tempo. Isso é verdade.

Antes de chegar a esse estágio, há muito o que fazer. E ninguém precisa se sentir culpado por estar assim, justamente no momento em que o bebê chegou. Há terapias e, inclusive, medicamentos que podem ser tomados mesmo durante a amamentação.

“Toda mulher, depois do nascimento do bebê, tem uma série de alterações hormonais, o que faz com que ela alterne momentos de tristeza e alegria”, diz Alessandro Danesi, pediatra do Hospital Sírio-Libanês (SP). Isso é mais comum quando trata-se do primeiro filho do casal, pela insegurança com os cuidados do bebê, mas não quer dizer que a oscilação de humor não possa surgir com os próximos filhos.

O papel dos médicos
Ainda no pré-natal, os pais devem ser preparados psicologicamente pelo obstetra sobre a dificuldade que existe no começo. A ida ao pediatra ainda na primeira semana é fundamental. Mais do que tranqüilizar o casal sobre a saúde do bebê e tudo o que pode acontecer com ele, como o soluço, o espirro, dicas de aleitamento, é hora de conversar com o pai sobre a colaboração e paciência que ele precisa ter nesse começo, tanto com a mãe quanto com o bebê.

“Elas precisam descansar, se alimentar, passear. E não têm de se sentir piores porque estão se cuidando”, diz Alessandro. Ficar um mês em casa somente atendendo às demandas do bebê estressa a mulher. Aceite a ajuda do companheiro e da família porque é normal a mulher se atrapalhar com a maternidade.

“O maior erro da família é mudar o dia-a-dia em função do bebê. O filho nasce para se juntar à vida dos pais”, diz Alessandro. Essas medidas são simples e importantes no combate à depressão. Depois do primeiro mês, a mulher já se sente melhor. O casal mais adaptado com o bebê, e ele aos pais.

DEPRESSÃO

Generalidades
Depressão é uma palavra freqüentemente usada para descrever nossos sentimentos. Todos se sentem "para baixo" de vez em quando, ou de alto astral às vezes e tais sentimentos são normais. A depressão, enquanto evento psiquiátrico é algo bastante diferente: é uma doença como outra qualquer que exige tratamento. Muitas pessoas pensam estar ajudando um amigo deprimido ao incentivarem ou mesmo cobrarem tentativas de reagir, distrair-se, de se divertir para superar os sentimentos negativos. Os amigos que agem dessa forma fazem mais mal do que bem, são incompreensivos e talvez até egoístas. O amigo que realmente quer ajudar procura ouvir quem se sente deprimido e no máximo aconselhar ou procurar um profissional quando percebe que o amigo deprimido não está só triste.
Uma boa comparação que podemos fazer para esclarecer as diferenças conceituais entre a depressão psiquiátrica e a depressão normal seria comparar com a diferença que há entre clima e tempo. O clima de uma região ordena como ela prossegue ao longo do ano por anos a fio. O tempo é a pequena variação que ocorre para o clima da região em questão. O clima tropical exclui incidência de neve. O clima polar exclui dias propícios a banho de sol. Nos climas tropical e polar haverá dias mais quentes, mais frios, mais calmos ou com tempestades, mas tudo dentro de uma determinada faixa de variação. O clima é o estado de humor e o tempo as variações que existem dentro dessa faixa. O paciente deprimido terá dias melhores ou piores assim como o não deprimido. Ambos terão suas tormentas e dias ensolarados, mas as tormentas de um, não se comparam às tormentas do outro, nem os dias de sol de um, se comparam com os dias de sol do outro. Existem semelhanças, mas a manifestação final é muito diferente. Uma pessoa no clima tropical ao ver uma foto de um dia de sol no pólo sul tem a impressão de que estava quente e que até se poderia tirar a roupa para se bronzear. Este tipo de engano é o mesmo que uma pessoa comete ao comparar as suas fases de baixo astral com a depressão psiquiátrica de um amigo. Ninguém sabe o que um deprimido sente, só ele mesmo e talvez quem tenha passado por isso. Nem o psiquiatra sabe: ele reconhece os sintomas e sabe tratar, mas isso não faz com que ele conheça os sentimentos e o sofrimento do seu paciente.




Como é?
Os sintomas da depressão são muito variados, indo desde as sensações de tristeza, passando pelos pensamentos negativos até as alterações da sensação corporal como dores e enjôos. Contudo para se fazer o diagnóstico é necessário um grupo de sintomas centrais:

Perda de energia ou interesse
Humor deprimido
Dificuldade de concentração
Alterações do apetite e do sono
Lentificação das atividades físicas e mentais
Sentimento de pesar ou fracasso

Os sintomas corporais mais comuns são sensação de desconforto no batimento cardíaco, constipação, dores de cabeça, dificuldades digestivas. Períodos de melhoria e piora são comuns, o que cria a falsa impressão de que se está melhorando sozinho quando durante alguns dias o paciente sente-se bem. Geralmente tudo se passa gradualmente, não necessariamente com todos os sintomas simultâneos, aliás, é difícil ver todos os sintomas juntos. Até que se faça o diagnóstico praticamente todas as pessoas possuem explicações para o que está acontecendo com elas, julgando sempre ser um problema passageiro.



Outros sintomas que podem vir associados aos sintomas centrais são:

Pessimismo
Dificuldade de tomar decisões
Dificuldade para começar a fazer suas tarefas
Irritabilidade ou impaciência
Inquietação
Achar que não vale a pena viver; desejo de morrer
Chorar à-toa
Dificuldade para chorar
Sensação de que nunca vai melhorar, desesperança...
Dificuldade de terminar as coisas que começou
Sentimento de pena de si mesmo
Persistência de pensamentos negativos
Queixas freqüentes
Sentimentos de culpa injustificáveis
Boca ressecada, constipação, perda de peso e apetite, insônia, perda do desejo sexual



Diferentes tipo de depressão
Basicamente existem as depressões monopolares (este não é um termo usado oficialmente) e a depressão bipolar (este termo é oficial). O transtorno afetivo bipolar se caracteriza pela alternância de fases deprimidas com maníacas, de exaltação, alegria ou irritação do humor. A depressão monopolar só tem fases depressivas.



Depressão e doenças cardíacas
Os sintomas depressivos apesar de muito comuns são pouco detectados nos pacientes de atendimento em outras especialidades, o que permite o desenvolvimento e prolongamento desse problema comprometendo a qualidade de vida do indivíduo e sua recuperação. Anteriormente estudos associaram o fumo, a vida sedentária, obesidade, ao maior risco de doença cardíaca. Agora, pelas mesmas técnicas, associa-se sintoma depressivo com maior risco de desenvolver doenças cardíacas. A doença cardíaca mais envolvida com os sintomas depressivos é o infarto do miocárdio. Também não se pode concluir apressadamente que depressão provoca infarto, não é assim. Nem todo obeso, fumante ou sedentário enfarta. Essas pessoas enfartam mais que as pessoas fora desse grupo, mas a incidência não é de 100%. Da mesma forma, a depressão aumenta o risco de infarto, mas numa parte dos pacientes. Está sendo investigado.



Depressão no paciente com câncer
A depressão costuma atingir 15 a 25% dos pacientes com câncer. As pessoas e os familiares que encaram um diagnóstico de câncer experimentarão uma variedade de emoções, estresses e aborrecimentos. O medo da morte, a interrupção dos planos de vida, perda da auto-estima e mudanças da imagem corporal, mudanças no estilo social e financeiro são questões fortes o bastante para justificarem desânimo e tristeza. O limite a partir de qual se deve usar antidepressivos não é claro, dependerá da experiência de cada psiquiatra. A princípio sempre que o paciente apresente um conjunto de sintomas depressivos semelhante ao conjunto de sintomas que os pacientes deprimidos sem câncer apresentam, deverá ser o ponto a partir do qual se deve entrar com medicações.
Existem alguns mitos sobre o câncer e as pessoas que padecem dele, tais como"os portadores de câncer são deprimidos". A depressão em quem tem câncer é normal, o tratamento da depressão no paciente com câncer é ineficaz. A tristeza e o pesar são sentimentos normais para uma pessoa que teve conhecimento da doença. Questões como a resposta ao tratamento, o tempo de sobrevida e o índice de cura entre pacientes com câncer com ou sem depressão estão sendo mais enfocadas do que a investigação das melhores técnicas para tratamento da depressão.
Normalmente a pessoa que fica sabendo que está com câncer torna-se durante um curto espaço de tempo descrente, desesperada ou nega a doença. Esta é uma resposta normal no espectro de emoções dessa fase, o que não significa que sejam emoções insuperáveis. No decorrer do tempo o humor depressivo toma o lugar das emoções iniciais. Agora o paciente pode ter dificuldade para dormir e perda de apetite. Nessa fase o paciente fica ansioso, não consegue parar de pensar no seu novo problema e teme pelo futuro. As estatísticas mostram que aproximadamente metade das pessoas conseguirá se adaptar a essa situação tão adversa. Com isso estas pessoas aceitam o tratamento e o novo estilo de vida imposto não fica tão pesado.



A identificação da depressão
Para afirmarmos que o paciente está deprimido temos que afirmar que ele sente-se triste a maior parte do dia quase todos os dias, não tem tanto prazer ou interesse pelas atividades que apreciava, não consegue ficar parado e pelo contrário movimenta-se mais lentamente que o habitual. Passa a ter sentimentos inapropriados de desesperança desprezando-se como pessoa e até mesmo se culpando pela doença ou pelo problema dos outros, sentindo-se um peso morto na família. Com isso, apesar de ser uma doença potencialmente fatal, surgem pensamentos de suicídio. Esse quadro deve durar pelo menos duas semanas para que possamos dizer que o paciente está deprimido.




Causa da Depressão
A causa exata da depressão permanece desconhecida. A explicação mais provavelmente correta é o desequilíbrio bioquímico dos neurônios responsáveis pelo controle do estado de humor. Esta afirmação baseia-se na comprovada eficácia dos antidepressivos. O fato de ser um desequilíbrio bioquímico não exclui tratamentos não farmacológicos. O uso continuado da palavra pode levar a pessoa a obter uma compensação bioquímica. Apesar disso nunca ter sido provado, o contrário também nunca foi.
Eventos desencadeantes são muito estudados e de fato encontra-se relação entre certos acontecimentos estressantes na vida das pessoas e o início de um episódio depressivo. Contudo tais eventos não podem ser responsabilizados pela manutenção da depressão. Na prática a maioria das pessoas que sofre um revés se recupera com o tempo. Se os reveses da vida causassem depressão todas as pessoas a eles submetidos estariam deprimidas e não é isto o que se observa. Os eventos estressantes provavelmente disparam a depressão nas pessoas predispostas, vulneráveis. Exemplos de eventos estressantes são perda de pessoa querida, perda de emprego, mudança de habitação contra vontade, doença grave, pequenas contrariedades não são consideradas como eventos fortes o suficiente para desencadear depressão. O que torna as pessoas vulneráveis ainda é objeto de estudos. A influência genética como em toda medicina é muito estudada. Trabalhos recentes mostram que mais do que a influência genética, o ambiente durante a infância pode predispor mais as pessoas. O fator genético é fundamental uma vez que os gêmeos idênticos ficam mais deprimidos do que os gêmeos não idênticos.


Última Atualização: 8-10-2004
Ref. Bibliograf: Liv 01 Liv 19 Liv 03 Liv 17 Liv 13 Eur. Psychiatry 2001; 16: 327-335
Relapse and Recurrence Prevention in Major Depression
JG storesum
J Psychiatry Res. 2000; 48: 493-500
Severe Depression is Associated with Markedly Reduced Heart Rate?
Phillis K Stein Psychiatry Research 2001; 104: 175-181
Symptoms of Atypical Depression
Michael Posternak

MECANISMOS DE DEFESA

MECANISMOS DE DEFESA DO EGO

Os principais Mecanismos de Defesa psicológicos descritos são: repressão, negação, racionalização, formação reativa, isolamento, projeção, regressão e sublimação (Anna Freud, 1936; Fenichel, 1945). Todos estes mecanismos podem ser encontrados em indivíduos saudáveis, e sua presença excessiva é, via de regra, indicação de possíveis sintomas neuróticos. Freud não pretendeu que suas observações sobre Mecanismo de Defesa fossem inteiramente originais. Ele citava outras observações sobre o tema.
Mecanismos inconscientes pelos quais o Ego se dissocia de impulsos ou afetos sentidos como perigosos para a integridade do organismo

Repressão /Recalque

A essência da Repressão consiste em afastar uma determinada coisa do consciente, mantendo-a à distância (no inconsciente) (1915, livro 11, p. 60 na ed. bras.). A repressão afasta da consciência um evento, idéia ou percepção potencialmente provocadoras de ansiedade e impede, dessa forma, qualquer "manipulação" possível desse material. Entretanto, o material reprimido continua fazendo parte da psique, apesar de inconsciente, e que continua causando problemas.
Segundo Freud, a repressão nunca é realizada de uma vez por todas e definitivamente, mas exige um continuado consumo de energia para se manter o material reprimido. Para ele os sintomas histéricos com freqüência têm sua origem em alguma antiga repressão. Algumas doenças psicossomáticas, tais como asma, artrite e úlcera, também poderiam estar relacionadas com a repressão. Também é possível que o cansaço excessivo, as fobias e a impotência ou a frigidez derivem de sentimentos reprimidos.
Finalmente, A rejeição/recalque é rejeitar uma motivação, emoção ou idéia, penosa ou perigosa, tendendo a dissociar-se delas.

Negação
Negação é a tentativa de não aceitar na consciência algum fato que perturba o Ego. Os adultos têm a tendência de fantasiar que certos acontecimentos não são, de fato, do jeito que são, ou que na verdade nunca aconteceram. Este vôo de fantasia pode tomar várias formas, algumas das quais parecem absurdas ao observador objetivo. A seguinte estória é uma ilustração da negação:
Uma mulher foi levada à Corte a pedido de seu vizinho. Esse vizinho acusava a mulher de ter pego e danificado um vaso valioso. Quando chegou a hora da mulher se defender, sua defesa foi tripla: "Em primeiro lugar, nunca tomei o vaso emprestado. Em segundo lugar, estava lascado quando eu o peguei. Finalmente, Sua Excelência, eu o devolvi em perfeito estado".
A notável capacidade de lembrar-se incorretamente de fatos é a forma de negação encontrada com maior freqüência na prática psicoterápica. O paciente recorda-se de um acontecimento de forma vívida, depois, mais tarde, pode lembrar-se do incidente de maneira diferente e, de súbito, dar-se conta de que a primeira versão era uma construção defensiva.

Para exemplificar a Negação, Freud citou Darwin, que em sua autobiografia dizia obedecer a uma regra de ouro: sempre que eu deparava com um fato publicado, uma nova observação ou pensamento, que se opunha aos meus resultados gerais, eu imediatamente anotava isso sem errar, porque a experiência me ensinou que tais fatos e pensamentos fogem da memória com muito maior facilidade que os fatos que nos são totalmente favoráveis.
Racionalização
Racionalização é o processo de achar motivos lógicos e racionais aceitáveis para pensamentos e ações inaceitáveis. É o processo através do qual uma pessoa apresenta uma explicação que é logicamente consistente ou eticamente aceitável para uma atitude, ação, idéia ou sentimento que causa angústia. Usa-se a Racionalização para justificar comportamentos quando, na realidade, as razões para esses atos não são recomendáveis.
A afirmação cotidiana de que "eu só estou fazendo isto para seu próprio bem" pode ser a Racionalização do sentimento ou pensamento de que "eu quero fazer isto para você, eu não quero que me façam isto ou até mesmo, eu quero que você sofra um pouco". Também pode ser Racionalização a afirmação de que "eu acho que estou apaixonado por você". Na realidade poderia estar sentido que "estou ligado no teu corpo, quero que você se ligue no meu".
Racionalização é um modo de aceitar a pressão do Superego, de disfarçar verdadeiros motivos, de tornar o inaceitável mais aceitável. Enquanto obstáculo ao crescimento, a Racionalização impede a pessoa de aceitar e de trabalhar com as forças motivadoras genuínas, apesar de menos recomendáveis.
Na racionalização, aquilo que não se obtém, é desprezado evitando a frustração. Justificação consciente de uma conduta proveniente, de fato, de outras motivações, geralmente inconscientes;
Formação Reativa
Esse mecanismo substitui comportamentos e sentimentos que são diametralmente opostos ao desejo real. Trata-se de uma inversão clara e, em geral, inconsciente do verdadeiro desejo. Como outros mecanismos de defesa, as formações reativas são desenvolvidas, em primeiro lugar, na infância. As crianças, assim como incontáveis adultos, tornam-se conscientes da excitação sexual que não pode ser satisfeita, evocam conseqüentemente forças psíquicas opostas a fim de suprimirem efetivamente este desprazer. Para essa supressão elas costumam construir barreiras mentais contrárias ao verdadeiro sentimento sexual, como por exemplo, a repugnância, a vergonha e a moralidade. Não só a idéia original é reprimida, mas qualquer vergonha ou auto-reprovação que poderiam surgir ao admitir tais pensamentos em si próprios também são excluídas da consciência.
Infelizmente, os efeitos colaterais da Formação Reativa podem prejudicar os relacionamentos sociais. As principais características reveladoras de Formação Reativa são seu excesso, sua rigidez e sua extravagância. O impulso, sendo negado, tem que ser cada vez mais ocultado.
Através da Formação Reativa, alguns pais são incapazes de admitir um certo ressentimento em relação aos filhos, acabam interferindo exageradamente em suas vidas, sob o pretexto de estarem preocupados com seu bem-estar e segurança. Nesses casos a superproteção é, na verdade, uma forma de punição. O esposo pleno de raiva contra sua esposa pode manifestar sua Formação Reativa tratando-a com formalidade exagerada: "não é querida..." A Formação Reativa oculta partes da personalidade e restringe a capacidade de uma pessoa responder a eventos e, dessa forma, a personalidade pode tornar-se relativamente inflexível.
A formação reativa é o fenômeno pelo qual um pai muito rude com a filha utiliza-se desse mecanismo para se livrar de uma relação incestuosa com a filha.

Projeção
O ato de atribuir a uma outra pessoa, animal ou objeto as qualidades, sentimentos ou intenções que se originam em si próprio, é denominado projeção. É um mecanismo de defesa através do qual os aspectos da personalidade de um indivíduo são deslocados de dentro deste para o meio externo. A ameaça é tratada como se fosse uma força externa. A pessoa com Projeção pode, então, lidar com sentimentos reais, mas sem admitir ou estar consciente do fato de que a idéia ou comportamento temido é dela mesma.
Alguém que afirma textualmente que "todos nós somos algo desonestos" está, na realidade, tentando projetar nos demais suas próprias características. Ou então, dizer que "todos os homens e mulheres querem apenas uma coisa, sexo", pode refletir uma Projeção nos demais de estar pessoalmente pensando muito a respeito de sexo. Outras vezes dizemos que "inexplicavelmente Fulano não gosta de mim", quando na realidade sou eu quem não gosta do Fulano gratuitamente.
Sempre que caracterizamos algo de fora de nós como sendo mau, perigoso, pervertido, imoral e assim por diante, sem reconhecermos que essas características podem também ser verdadeiras para nós, é provável que estejamos projetando.
Pesquisas relativas à dinâmica do preconceito mostraram que as pessoas que tendem a estereotipar outras também revelam pouca percepção de seus próprios sentimentos. As pessoas que negam ter um determinado traço específico de personalidade são sempre mais críticas em relação a este traço quando o vêem nos outros.
Na projeção são deslocadas qualidades que o indivíduo queria para si, para outrem. Como um pai louvando a maravilha de filho que tem. O indivíduo percebe no mundo exterior e, em particular, em outra pessoa, as características que lhe são próprias;

Regressão
Regressão é um retorno a um nível de desenvolvimento anterior ou a um modo de expressão mais simples ou mais infantil. É um modo de aliviar a ansiedade escapando do pensamento realístico para comportamentos que, em anos anteriores, reduziram a ansiedade. Linus, nas estórias em quadrinhos de Charley Brown, sempre volta a um espaço psicológico seguro quando está sob tensão. Ele se sente seguro quando agarra seu cobertor, tal como faria ou fazia quando bebê.
A regressão é um modo de defesa bastante primitivo e, embora reduza a tensão, freqüentemente deixa sem solução a fonte de ansiedade original.
Finalmente, na regressão as pessoas, geralmente em estados patológicos, assumem comportamentos infantís na busca de afeto.Defesa contra uma frustração pelo retorno a uma modalidade de comportamento e de satisfação anterior;

Sublimação
A energia associada a impulsos e instintos socialmente e pessoalmente constrangedores é, na impossibilidade de realização destes, canalizada para atividades socialmente meritosas e reconhecidas. A frustração de um relacionamento afetivo e sexual mal resolvido, por exemplo, é sublimado na paixão pela leitura ou pela arte.
Finalmente, a sublimação permite que alguém que possui muita agressividade, mesmo sádico, se engrandeça pela prática de atos socialmente elogiados, tipo o médico cirurgião. Derivação de instintos e tendências egoístas e materiais para objetivos altruístas e espirituais;
Deslocamento
É o mecanismo psicológico de defesa onde a pessoa substitui a finalidade inicial de uma pulsão por outra diferente e socialmente mais aceita. Durante uma discussão, por exemplo, a pessoa tem um forte impulso em socar o outro, entretanto, acaba deslocando tal impuso para um copo, o qual atira ao chão.
Na introjeção, características de alguém que se admira, são incorporadas pelo indivíduo, como o jovem que veste roupas de um ator para se parecer com ele. Incorporação imaginária de um objeto ou de uma pessoa, amada ou odiada, ao ego ou ao superego do indivíduo.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Os estágios de desenvolvimento da criança segundo Freud

A teoria dos estágios, segundo a qual a percepção das crianças evolui em etapas relativamente bem definidas, é do psicólogo suíço Jean Piaget. Na época (década de 1930), se pensava



sensório-motor (0 a 2 anos), pré-operatório (2 a 7 anos), operatório-concreto (7 a 11 anos) e lógico-formal (11 a 15 anos). Veja mais detalhes aqui.

Freud, por sua vez, percebeu que a sexualidade molda determinados comportamentos e que isso ocorre desde a infância. Essa teoria também causou espanto na época (final do séc. 19), já que o assunto "sexualidade" é considerado exclusividade dos adultos. Devemos entender que Freud se referia à relação da criança com seu próprio corpo e não da relação com outra pessoa. Freud dizia que a busca do prazer é uma forte motivação para o comportamento das pessoas. O foco dessa fonte de prazer muda de acordo com a fase em que a criança está.

Segundo Freud, as etapas do desenvolvimento psicossexual são:

Fase Oral
Período: de 0 a 1 ano aproximadamente.
Características principais: a região do corpo que proporciona maior prazer à criança e a boca. É pela boca que a criança entra em contato com o mundo, é por esta razão que a criança pequena tende a levar tudo o que pega à boca. O principal objeto de desejo nesta fase é o seio da mãe, que além de a alimentar proporciona satisfação ao bebê. É a fase de reconhecimento do externo. Cores primárias e vibrantes despertam a atenção das crianças nessa fase.

Fase Anal
Período: 2 a 4 anos aproximadamente
Características: Neste período a criança passa a adquirir o controle dos esfíncteres e a zona de maior satisfação é a região do ânus. A criança descobre que pode controlar as fezes que saem de seu interior, oferecendo-as à mãe ora como um presente, ora como algo agressivo. É nesta etapa que a criança começa a ter noção de higiene. Ela começa a ter noção de posse e quer pegar os objetos, tocá-los e ver que aquilo faz parte de algo fora do limite do seu corpo.

Fase Fálica
Período: de 4 a 6 anos aproximadamente.
Características: Nesta etapa do desenvolvimento a atenção da criança volta-se para a região genital e ela apresenta um forte comportamento narcisista, de representação de si, onde cria uma grandiosa imagem de si mesma. Inicialmente a criança imagina que tanto os meninos quanto as meninas possuem um pênis. Ao serem defrontadas com as diferenças anatômicas entre os sexos, as crianças criam as chamadas "teorias sexuais infantis", imaginando que as meninas não tem pênis porque este órgão lhe foi arrancado (complexo de castração). As meninas vêem-se incompletas (por causa da ausência e conseqüente inveja do pênis). Neste período surge o complexo de Édipo, no qual o menino passa a apresentar uma atração pela mãe e a se rivalizar com o pai, e na menina ocorre o inverso.

Fase de Latência
Período: de 6 a 11 anos aproximadamente.
Características: este período tem por característica principal um deslocamento da libido da sexualidade para atividades socialmente aceitas, ou seja, a criança passa a gastar sua energia em atividades sociais e escolares. É o investimento no outro, em coisas do exterior.

Fase Genital
Período: a partir de 11 anos.
Características: neste período, que tem início com a adolescência, há uma retomada dos impulsos sexuais, o adolescente passa a buscar, em pessoas fora de seu grupo familiar, um objeto de amor. A adolescência é um período de mudanças no qual o jovem tem que elaborar a perda da identidade infantil e dos pais, da infância, para que pouco a pouco possa assumir uma identidade adulta. Ele procura se diferenciar do outro, ao mesmo tempo em que procura

Importância das Emoções

o Sobrevivência: Nossas emoções foram desenvolvidas naturalmente através de milhões de anos de evolução. Como resultado, nossas emoções possuem o potencial de nos servir como um sofisticado e delicado sistema interno de orientação. Nossas emoções nos alertam quando as necessidades humanas naturais não são encontradas. Por exemplo, quando nos sentimos sós, nossa necessidade é encontrar outras pessoas.Quando nos sentimos receosos, nossa necessidade é por segurança. Quando nos sentimos rejeitados, nossa necessidade é por aceitação.
o Tomadas de Decisão: Nossas emoções são uma fonte valiosa da informação. Nossas emoções nos ajudam a tomar decisões. Os estudos mostram que quando as conexões emocionais de uma pessoa estão danificadas no cérebro, ela não pode tomar nem mesmo as decisões simples. Por que? Porque não sentirá nada sobre suas escolhas.
o Ajuste de limites: Quando nos sentimos incomodados com o comportamento de uma pessoa, nossas emoções nos alertam. Se nós aprendermos a confiar em nossas emoções e sensações isto nos ajudará a ajustar nossos limites que são necessários para proteger nossa saúde física e mental.
o Comunicação: Nossas emoções ajudam-nos a comunicar com os outros. Nossas expressões faciais, por exemplo, podem demonstrar uma grande quantidade de emoções. Com o olhar, podemos sinalizar que precisamos de ajuda. Se formos também verbalmente hábeis, juntamente com nossas expressões teremos uma possibilidade maior de melhor expressar nossas emoções. Também é necessário que nós sejamos eficazes para escutar e entender os problemas dos outros.
o União: Nossas emoções são talvez a maior fonte potencial capaz de unir todos os membros da espécie humana. Claramente, as diferenças religiosas, cultural e política não permitem isto, apesar dar emoções serem "universais".

O QUE É COMPREXO DE ÉDIPO ?

O que é complexo de Édipo?
Sem dúvida, ao lado de “inconsciente”, a noção de complexo de Édipo talvez seja o conceito freudiano que mais tenha se incorporado ao senso comum. E talvez seja essa a razão de muitos mal-entendidos quanto ao significado do termo. Nessa explicação, passarei deliberadamente ao largo da história grega de Édipo, a qual inspirou Freud na elaboração do conceito. Basta que o leitor saiba que Édipo foi um cara que, sem saber, se casou com a própria mãe e, também sem saber, acabou matando o próprio pai. Como você verá adiante, isso mostra que o próprio Édipo não teve complexo de Édipo porquanto tenha realizado o desejo que gera o complexo justamente por ter não poder ser levado a cabo.

Primeiramente são necessárias algumas palavras sobre o termo “complexo”. Ele foi criado por Jung (que durante algum tempo foi o discípulo predileto de Freud). Jung, que era psiquiatra, mesmo antes de conhecer a psicanálise, praticava um experimento com seus pacientes que consistia em enunciar diversas palavras para o doente e esse, a cada palavra enunciada, deveria responder com outra. Durante esse processo, alguns sinais corporais do sujeito, como batimento cardíaco, eram monitorados, bem como o tempo que o paciente gastava para responder às palavras. Jung percebia que perante alguns grupos de palavras os pacientes demoravam mais tempo para responder e/ou suas funções vitais ficavam mais alteradas. Jung compreendeu tais resultados da seguinte forma: quando tais palavras eram enunciadas, provavelmente elas eram associadas com outras representações mentais ligadas a lembranças ou pensamentos aflitivos – daí a alteração no tempo de resposta e nas funções vitais. Assim, esse grupo de representações articuladas em torno de um núcleo comum angustiante foi chamado por Jung de complexo.

Freud passou a utilizar o termo mais ou menos no mesmo sentido. Logo, a rigor o complexo de Édipo se refere a um conjunto de representações mentais interconectadas pela referência ao conflito edipiano. É esse conflito que vamos abordar. Para Freud, é a forma como cada um de nós dá um encaminhamento para ele que está na base de nossos relacionamentos com todo o mundo, seja com a namorada, com o marido, com os amigos ou com o presidente da república. Na tentativa de deixar a psicanálise mais em sintonia com a lingüística e a antropologia estruturais, disciplinas de vanguarda nos anos 50, Lacan dirá que o modo como lidamos com o conflito edipiano resulta numa estrutura. Sim, estrutura. A idéia é a mesma daquela estrutura que os engenheiros fazem no início da construção de um edifício, ou seja, é aquilo que dá a diretriz de como a construção será feita. O prédio pode ser azul, verde, branco, pode ser feito com tijolos de barro ou com blocos de concreto, mas sua estrutura não pode variar. Assim também, podemos mudar de país, de idade, de estilo, de amigos, de esposa, de marido, que, mesmo assim, nossa estrutura básica de relacionamento com o mundo e nosso modo de nos conduzirmos quanto a nossa sexualidade, vai permanecer o mesmo ao longo de toda a vida. E essa estrutura é definida no conflito edipiano.

Para não terminarmos esse post no vazio, vamos deixar claro desde já o cenário onde se desenrola o Édipo (a partir deste momento passarei a utilizar esse termo em vez de “conflito edipiano”): pois bem, temos um menininho por volta dos seus cinco anos de vida e que possui nesse momento duas pessoas realmente significativas em sua existência: seu pai e sua mãe. Ele adora o aconchego do colo materno, lembra-se com extrema saudade do tempo em que em vez da mamadeira, era nos seios da mãe que ele se saciava, do tempo em que ela com toda a paciência lhe limpava, de modo que agora ele sente um prazer enorme em ficar junto dela. Mesmo que lá na escolinha seja divertido, ele adora quando o sinal toca e já é hora de voltar pra casa e reencontrá-la. O menininho também tem feito algumas descobertas em seu próprio corpo. Sem querer acabou percebendo que tocando de uma determinada forma no “piupiu”, como a mãe lhe disse que se chamava, ele sente uma sensação muito gostosa que dá vontade de repetir. Do outro lado do palco, temos o pai, aquele estranho ser que sempre corta o barato do menininho. No momento em que esse mais gostaria de estar com a mãe, à noite, na cama dela, quem está lá é ele, o pai. Assim, esse sujeito é a pedra no sapato do menininho. “Como seria bom se ele desaparecesse…” pensa o garoto.

Mecanismos de defesa

Os mecanismos de defesa podem ser considerados as ações psicológicas que têm por finalidade, reduzir qualquer manifestação que pode colocar em perigo a integridade do Ego, pois o indivíduo não consegue lidar com situações que por algum motivo considere ameaçadoras. São processos subconscientes ou mesmo inconscientes que permitem a mente encontrar uma solução para conflitos não resolvidos ao nível da consciência. A base dos mecanismos de defesa são as angústias. Quanto mais angustiados estivermos, mais fortes os mecanismos de defesa ficam ativados. Os mecanismos de defesa mais importante são:
Negação: "Este problema não é meu!" "Isto não acontece comigo!" Mesmo que evidente, o adolescente não percebe o que está acontecendo e funciona cegamente em relação a este mecanismo. Quando um paciente recebe a informação de que ele é soropositivo para o HIV, poderá entrar na fase da negação dizendo o seguinte: "Dr, esse exame que o senhor fez não é meu" ou "Esse exame está enganado, eu não sinto nada"
Racionalização: "Estou assim pelas dificuldades financeiras." "Não dá, está difícil"."cheguei atrasado por conta do pneu ter furado! As razões estão em função das suas justificativas para a manutenção do problema. Nesse mecanismo de defesa, a inteligência é super utilizada para tornar plausível a desculpa encontrada"
Intelectualização: "Eu sei, eu já li tudo isso! Não é bem assim, tem muita discussão nova!"
Projeção: "Estou assim por causa de minha família." "Qual é? Eu não tenho ninguém!", Aqui, vemos os seus conflitos e reflexões sendo colocados nos outros. Outro exemplo de projeção é quando a pessoa fala: "todo mundo só pensa naquilo", na verdade ela vê nos outros características, sentimentos ou idéias dela. Pesquisas recentes comprovam que pessoas que são homofóbicas possuem certas características homossexuais mas não reconhecem ou não aceitam, sendo assim, elas fazem uma projeção.
Sublimação: é o processo de deslocamento que os indivíduos utilizam para desviar idéias que os perturbam. Caracteriza-se por apresentar uma inibição do objeto e uma dessexualização. É responsável pela civilização já que é resultante de pulsões subjacentes que encontram vias aceitáveis para o que é reprimido.
Introjecção: Mecanismo de defesa quase que oposto à projeção. Trata-se de aceitar os conteúdos proejetados como se fossem verdade do ego. Tudo que agrada é introjetado. Percebendo este fato, o ego aprende a usar a introjeção para fins hostis como executora de impulsos destrutivos e também como modelo de um mecanismo definido de defesa. Na depressão, pode-se notar o quanto a pessoa faz e fez uso da introjeção.
Identificação: É o processo psíquico por meio do qual um indivíduo assimila um aspecto, uma característica de outro, e se transforma, total ou parcialmente, apresentando-se conforme o modelo desse outro.
Formação Reativa: consiste em ostentar um procedimento e externar sentimentos opostos aos impulsos verdadeiros, quando estes são inconfessáveis. Uma reação contra ele próprio. Processo psíquico, por meio do qual um impulso indesejável é mantido inconsciente, por conta de uma forte adesão ao seu contrário. Exemplo: ser super bem tratado na casa da namorada pela mãe dela, mas sentir que a futura "sogra" detestou a visita.
Isolamento: consiste em isolar um comportamento ou um pensamento de tal maneira que as suas ligações com os outros pensamentos, ou com o auto-conhecimento, ficam absolutamente interrompidas. Uma supressão da possibilidade de contato, um meio de subtrrair uma coisa ao contato. Ruptura das conexões associativas de um pensamento ou de uma ação, especialmente com o que os precede e os segue no tempo.
Anulação: ações que contestam ou desfazem um dano que o indivíduo imagina que pode ser causado por seus desejos.
Deslocamento: consiste em transferir as características ou atributos de um determinado objeto para outro objeto. Exemplo 1: receber uma bronca do chefe e, assim que chegar em casa, chutar o cachorro como se ele fosse o responsável pela frustração.
Idealização: consiste em atribuir a outro indivíduo qualidades de perfeição, vendo o outro de modo ideal.
Conversão: consiste em uma transposição de um conflito psíquico e uma tentativa de resolução desse conflito por meio de expressões somáticas.
Regressão: é o retorno do indivíduo a níveis anteriores do desenvolvimento sempre que se depara com uma frustração. uma sucessão genética e designa o retorno do sujeito a etapas ultrapassadas do seu desenvolvimento. Por exemplo o choro das pessoas em certas situações pode ser uma regressão a infância que pode ter tido aquela situação em que o choro "resolveu" o "problema" então a pessoa inconscientemente usa aquele mesmo "método" para "resolver" aquela situação.
Repressão: que é afastar ou recalcar da consciência um afeto, uma idéia ou apelo do instinto. Um acontecimento que por algum motivo envergonha uma pessoa pode ser completamente esquecido e se tornar não evocável. operação psíquica que pretende fazer desaparecer, da consciência, impulsos ameaçadores, sentimentos, desejos, ou seja, conteúdos desagradáveis, ou inoportunos.
Substituição: o inconsciente oferece a consciência um substituto aceitável por ela e por meio do qual ela pode satisfazer o Id ou o Superego. É a satisfação imaginária do desejo. Processo pelo qual um objeto valorizado emocionalmente, mas que não pode ser possuído, é inconscientemente substituído por outro, que geralmente se assemelha ao proibido. É uma forma de deslocamento. Um exemplo é o bebê chupar o dedo ou a chupeta para sentir o prazer como se estivesse no seio da mãe.
Fantasia: é um processo psíquico em que o indivíduo concebe uma situação em sua mente, que satisfaz uma necessidade ou desejo, que não pode ser, na vida real, satisfeito. Exemplo: Um homossexual que precisa manter o casamento e que, quando procurado pela esposa para o sexo, ele fantasia que está tendo relações homo e não hétero durante o ato. Fantasiar pode ajudar em certos conflitos psicológicos mas não "resolve" o conflito, certas pessoas podem passar a vida inteira fantasiando mas quando caem na realidade volta todo o conflito novamente.
Compensação: é o processo psíquico em que o indivíduo se compensa por alguma deficiência, pela imagem que tem de si próprio, por meio de um outro aspecto que o caracterize, que ele, então, passa a considerar como um trunfo.
Expiação: é o processo psíquico em que o indivíduo quer pagar pelo seu erro imediatamente.
Resistências: é o processo de resistências ao trabalho terapêutico,no qual o paciente tenta manter no inconsciente os acontecimentos esquecidos.
Transferência: representa o motor da cura e pode ser vista como, a repetição, face ao analista, de atitudes emocionais, inconscientes, amigáveis, hostis ou ambivalentes, que o paciente estabeleceu na sua infância no contacto com os pais e com as pessoas que o rodeiam. Um exemplo pode ser a menina que não teve pai é muito apegada ao namorado fazendo então uma tranferência passando todo os sentimentos e ações para o namorado como se fosse um pai.
Contratransferência: trata-se de uma resposta do analista à transferência do paciente mas que designa também, de forma mais geral, o conjunto das reacções inconscientes do analista perante o paciente.
Recalque Exclusão de idéias, sentimentos e desejos que o indivíduo não quisera admitir e que no entanto continua a fazer parte da vida psíquica. Certos traumas e conflitos não resolvidos são recalcados e se não forem resolvidos podem se tornarem em neurose, psicose,psiconeurose, doenças psicossomaticas.
[editar]Da natureza dos Mecanismos de Defesa
Os mecanismos de defesa podem ser divididos em duas categorias:
1 - As defesas bem sucedidas, possuem sucesso em eliminar aquilo que se rejeita
2 - As Defesas ineficazes, que terminam no reforço e repetição daquilo que tentou-se rejeitar.
Quando os mecanismos de defesa falham, a pessoa pode atuar de forma mecânica, entrar em seqüestro emocional, surtar ou mesmo necessitar de ser internada.

COMPLEXO DE ÉDIPO

O ENGANO DE ÉDIPO
E A FORMAÇÃO DOS ANALISTAS*


Os riscos perseguem o homem por todas as partes: nas estradas os acidentes são uma ameaça constante; sentado na segurança do lar, uma bala perdida ou mesmo um avião pode invadir a tranqüilidade. Poderá o homem livrar-se dos riscos? Dizem que viver é correr riscos!
Correr risco! Claro, trata-se de uma maneira de falar expressa através de uma conjunção. Mas e se nós a considerar-mos através de uma disjunção, onde correr consista em uma prótase, separada da apódose risco por uma vírgula, o que acontece? Teremos então: Correr, risco! Quer dizer, descarto a possibilidade de correr, o risco eu o enfrento ou, pelo menos, o enfrento. Quer dizer, nas duas formas o sentido continua o mesmo, evidenciando uma coisa que não se pode negar: é preciso tomar o risco em consideração, quem sabe mesmo sujeitar-se a ele.
A Laio, pai de Édipo, foi profetizado que morreria nas mãos de seu próprio filho. Temeroso, Laio escondeu este segredo de sua esposa Jocasta e cessou de ter relações com ela. Eric Flaum, em sua The Encyclopedia of Mythology, diz que ele stopped being intimate with her. Desconhecedora, inconsciente, unaware desta profecia, Jocasta ficou muito chateada com seu marido e embebedou-o, então, atraindo-o para deitar-se com ela. Flaum usa aqui, para ‘deitar-se’, a expressão to lie a qual, na alíngua inglesa, tem também o sentido de “mentira, engano, ilusão”. Quando a criança nasceu, nove meses mais tarde, Laio prendeu juntos os dois pés do recém-nascido e o abandonou para morrer.
A criança foi resgatada e adotada pelo Rei corintiano Pólibo e por sua esposa Mérope. Quando Édipo se tornou jovem e soube pelo oráculo que mataria seu próprio pai, preferiu abandonar Corinto por temer o cumprimento da profecia, pois não sabia, estava unaware, que Pólibo não era seu verdadeiro pai.
Durante suas viagens Édipo encontrou um cadmiano que o tratou muito rudemente e na luta que então travou, Édipo terminou matando-o. Matou Laio e seu cocheiro, seu auriga, para ser mais específico, unaware, inconsciente de que deste modo cumpria a profecia.
Édipo chega então a Tebas e aceita o desafio da Esfinge. Respondendo ao enigma ele a derrota e subseqüentemente torna-se Rei de Tebas através do casamento com a recém viúva Rainha Jocasta, enquanto todos os participantes da tragédia eram inconscientes de que ela era sua verdadeira mãe.
A seguir uma praga abate-se sobre Tebas e as consultas ao Oráculo de Delfos tornaram claro que a peste seria erradicada somente quando o assassino de Laio fosse expulso. Édipo jurou fazê-lo, obviando o fato de que ele mesmo era o culpado. As buscas foram infrutíferas e Édipo consulta o vidente Tirésias que finalmente revela a verdade da situação. Quando as últimas peças do puzzle foram juntadas e todos se tornaram conscientes da verdadeira identidade de Édipo, Jocasta comete suicídio e Édipo cega a si mesmo.
Como puderam ver, a leitura de Eric Flaum não é muito diferente das já conhecidas. Vale mais, talvez, pelas lindas reproduções de Édipo e a Esfinge, de Ingres (1808) e dos relevos em mármore de um sarcófago do séc. III DC, representado Édipo abandonado no Monte Citeron e Édipo matando Laio. O que me chamou a atenção para a sua leitura deste herói tebano foi, contudo, sua frase de abertura: Perhaps one of the most misunderstood figures in all of mythology. “Talvez uma das figuras mais mal compreendidas em toda a mitologia”. Ora, este “misunderstood”, pretérito de “misundestanding”, tem o sentido de ‘má compreensão’, de ‘má interpretação’, de ‘equívoco’, correlato da forma transitiva “mistake” que também tem o sentido de ‘compreender ou interpretar mal’ e ‘enganar-se a respeito de’. Quer dizer, Eric Flaum, mesmo em sua descrição um tanto ingênua detecta, ab ovo, um engano. Isto sem mencionar o to lie – deitar/mentir – de Jocasta.
Em todo o caso, penso que poderíamos perguntar-nos: onde começa o engano de Édipo? – Com o pressuposto de que o destino está escrito nas entranhas da terra e pode ser lido pela pitonisa de plantão? Quando o pai engana a mãe para proteger a si mesmo da morte (ou para esconder seu interesse homossexual)? Quando a mãe engana o marido para roubar-lhe um filho? Lembram que Jocasta ansiava por filhos; a curta relação que teve com Édipo – o tempo da solução de um enigma – deu-lhe quatro filhos: Etéocles, Polinices, Ismene e Antígona, todos de trágico destino. A resposta é difícil! Mais fácil é depreender que um engano leva a outro!
Para falar do engano, à propósito, os franceses usam, além de tromperie, fourberie, erreur e méprise, o mot “illusion”; e em alemão, para dizer ‘ilusão’, usa-se "trug’bild", cujo radical “trug” significa ‘engano’. E o que me parece importante, é que "trug’bild" também se usa para dizer ‘fantasma’.
E agora poderiam perguntar-me: você estará querendo dizer com isto que é o fantasma que leva ao engano? – A questão me parece importante, de modo que este é um argumento para não respondê-la depressa demais.
Édipo foge de Corinto porque não quer matar seu pai e na fuga encontra aquilo de que fugia. A pergunta que aqui se impõe é a seguinte: Édipo fugia da profecia ou da culpa que sentia pelo desejo de matar o pai? Freud diz que “matar o próprio pai ou abster-se de matá-lo não é, realmente, a coisa decisiva. Em ambos os casos, todos estão fadados a sentir culpa, porque o sentimento de culpa é uma expressão tanto do conflito devido à ambivalência, quanto da eterna luta entre Eros e a pulsão de destruição ou morte”. – Quer dizer: outra vez o engano! Édipo não quer saber o que se passa consigo, preferindo considerar-se um elemento da natureza a analisar-se, que dizer, a separar-se dela. Não reconhece que o significado da evolução da civilização consiste na luta entre a pulsão de vida e a de morte. Freud nos diz que “nesta luta consiste essencialmente toda a vida e, portanto, a evolução da civilização pode ser simplesmente descrita como a luta da espécie humana pela vida” e ele acrescenta em uma nota de rodapé: “uma luta pela vida sob a forma que esta estava fadada a assumir após um certo acontecimento que ainda resta a ser descoberto”. Quer dizer que quando Freud fala de evolução da civilização, ele está falando de uma espécie de domesticação das pulsões.
Mas vejamos outro engano: Flaum parece localizar a caverna da Esfinge em Cadmo. Se Ingres tivesse esta informação, ele certamente teria interpretado Monte Cadmo, pois sua tela não deixa dúvidas quanto a presença de um monte. Cadmo, em todo o caso, não podemos deixar de mencionar, é o nome do fundador de Tebas, na Beócia. Cadmo é o pai de Tebas, e entre suas aventuras singulares e extraordinárias conta-se que foi ele quem levou a arte de escrever da Fenícia para a Grécia. A arte de riscar? De arriscar?
Observem o quadro de Ingres: no canto inferior esquerdo, logo abaixo da assinatura do autor, e da data, gravados em uma pedra, vemos, da esquerda para a direita, a sola de um pé,uma ossada que parece ser parte das costelas de um homem e, em seguida, um crânio... humano certamente! No canto inferior direito vemos, ao longe e abaixo, a cidade de Tebas e, em um plano intermediário, a figura apavorada de um tebano. Observem a cara do tebano, misto de espanto e pavor, com todos os músculos do corpo retesados, embora só o vejamos da metade das pernas para cima, quer dizer que os pés estão ocultos; observem o contraste deste corpo com o de Édipo, em primeiro plano, com seus músculos completamente relaxados... Ele não se apoia nas lanças que carrega, ao contrário, seu corpo serve de apoio para as lanças que neste momento parecem não ter nenhuma função bélica. Seu corpo e sua atitude contrastam mesmo com o da Esfinge que mantém a expressão facial e os músculos tensos, mesmo embora erga sua pata leonina como um cãozinho que pede atenção.



A expressão do tebano que testemunha a cena é de apavoramento! Digo testemunha porque muito provavelmente é ele quem vai, depois, como um arauto, anunciar em Tebas a destruição do terrível monstro. E sua expressão apavorada deve querer dizer algo assim como: “Por Zeus e por todos os deuses do Olimpo, este cara não sabe onde está se metendo! Esta fera vai comê-lo!” A Esfinge por sua vez parece que já não agüentava a crassa ignorância dos tebanos – a sola do pé encarnado que aparece para fora do buraco parece dizer que ela, a Esfinge, já não é a mesma, já não lambe os ossos com a mesma satisfação de antes; sua mãozinha erguida, como quem pede calma a Édipo, parece autorizar esta leitura. E quando ele dá sua resposta, a Esfinge a aceita (perplexa?), ou finge aceitá-la dando-se por vencida e jogando-se pelo precipício abaixo. Quero supor que a presença do precipício é uma maneira de dizer que a Esfinge se precipitou, abismada!; dito de outro modo, uma metáfora para falar do engano de Édipo. Como já disse em outro trabalho, o engano de Édipo consiste em confundir o universal com o particular. O que está para todos, está também para cada um, é verdade, e é até aqui que vai Édipo; o que lhe escapa é que o que está para todos está para cada um de um modo particular.
Toda esta precipitação... – na leitura do oráculo, na fuga de Corinto, na luta na encruzilhada de Megas, na interpretação de um universal quando deveria estar um particular – leva a pensar na manutenção de um engano. Na medida em que Édipo se recusa a analisar a conjunção entre o seu supereu – vale dizer entre a introjeção da agressividade que o põe em fuga – e seu ideal, na medida em que se recusa a analisar o romance familiar no qual está envolvido, ele contribui para a fixação do engano. E em Édipo poderíamos pensar em um supereu do tipo medusante, conforme a acepção de A. Didier-Weill, um supereu medusante confirmado pela cegueira posterior.
E a formação dos analistas? Que tem a ver com isso?
Hoje em dia se vê cada vez mais a presença de clínicas dedicadas ao “atendimento psicanalítico de pessoas carentes”. Sabem que a expressão não é minha. Foram aparecendo e se proliferando. Justificam seu baixo custo – quando existe um custo – pelo atendimento de psicoterapeutas, ou mesmo analistas, em formação. Isto quer dizer que os responsáveis por estas formações consideram esta prática necessária. E a prática é mesmo necessária! Estou completamente de acordo, embora tenhamos que fazer uma ressalva: o ensino feito deste modo não terá condições de incluir um capítulo do tipo “honorários”, a menos que, justamente, esta parte seja considerada exclusivamente teórica ou que o aprendiz permaneça o resto da vida tratando de pessoas carentes, as quais estarão definidas desde logo pela perspectiva das possibilidades pecuniárias. Como corolário, o conceito de carência, de falta, por extensão o de falo e de significante terão de ser considerados, no melhor dos casos, tão somente a vol d’oiseau, porque considerados em sua pertinência própria levarão o projeto por água a baixo. E isto tudo sem mencionar as conseqüências éticas, a importância da diferença entre os conceitos de palavra plena e palavra vazia, além da importância da transferência como condição para o surgimento do inconsciente.
A aproximação disso com Édipo é que, tal como o herói tebano, estes “analistas” pensam que se aprende psicanálise no corpo do outro, sem distinguir entre o Outro maiúsculo e o outro minúsculo. Quer dizer, a especificidade da psicanálise não está aí tomada em consideração.
Quando se segue por este caminho, confunde-se a prática médica com a psicanalítica, pois na medicina é assim que se aprende, in altero, no corpo do outro, enquanto que na psicanálise o aprendizado se dá in loco, no próprio corpo. Uma coisa é dizer que o sujeito apreende sua sexualidade sobre o corpo do Outro, sobre o corpo da mãe, mas a repetição que se dá na análise é da ordem da repetição com diferença, ao estilo kierkegaardiano, possibilitado pela transferência. É a partir do próprio corpo que se pode chegar ao corpo do Outro maiúsculo, enquanto desejante.
Historicamente, este engano tem sido atribuído à introdução da psicanálise em nosso meio através da psiquiatria, como uma ferramenta a mais à disposição do médico comprometido hipocraticamente com a cura. E isto se pode desculpar, pois afinal se tratava dos primórdios. Quando o Brasil começou a se interessar pela psicanálise Freud ainda estava escrevendo sua obra: não tínhamos um Lacan que nos ajudasse a ver na psicanálise uma disciplina específica.
Pode ser que hoje o modelo médico ainda seja o imperativo, mas neste caso não se poderia pensar em algum tipo de identificação com o perseguidor? Porque depois de Lacan já há uma clareza bem maior quanto a especificidade da psicanálise.
E não creio que isto tenha algo a ver com o ensino da psicanálise por parte das universidades, pois quando Freud fala das vantagens do ensino que aí se desenvolve, não vejo como não estar de acordo com suas palavras, apesar dos possíveis problemas de tradução contidos no texto cuja primeira publicação foi em romeno. Mas temos de notar que no início da parte 2 ele se pergunta se as universidades desejam realmente atribuir algum valor à psicanálise, e que lugar a Universidade está disposta a dar à psicanálise em sua estrutura – um lugar independente, ou um lugar submetido a outras disciplinas? – para, ao final, afirmar que os alunos jamais aprenderão aí a psicanálise propriamente dita, assim como a formação universitária não equipa o estudante de medicina para ser um hábil cirurgião; é preciso uma formação adicional, sob a forma de vários anos de trabalho no departamento cirúrgico de um hospital .
Sim, o próprio Freud tinha na cirurgia uma referência, mas lembrem que ele dizia que a psicanálise era a cirurgia maior. Uma metáfora adequada, uma vez que se trata, na verdade, de cortes, de cortes no discurso, mas de cortes, possibilitadores de novas escanções.
No uso destas clínicas de atendimento psicanalítico o que vejo é a manutenção do engano de Édipo, quer dizer, a manutenção de um lugar que permite ao sujeito manter-se na hegeliana alma bela, esquivando com isto sua própria implicação particular. Nestas clínicas, não é a terapia de grupo, mais acessível (ao preço da perda da individualidade), que retorna?
O fundamental para a formação do analista é a análise das formações do inconsciente que o sujeita. A análise de controle e os estudos teóricos são coadjuvantes logicamente necessários, e como tais não param de se escrever. E isto tudo para que quando o analista tiver de se pronunciar, tiver que dar seu testemunho, não fique tão apavorado como o tebano que se identifica de modo centrífugo com Édipo, pensando que Édipo vai ser devorado tal qual ele mesmo o seria se estivesse em seu lugar, tão pouco para que fique nesta calma posição de alma bela em que se coloca Édipo, sem se dar conta de que a questão em jogo é com ele mesmo. O analista tem de saber que quando dá seu testemunho está em jogo um ato de criação.
Freud comenta em uma nota de rodapé que a palavra alemã para testemunha, Zeuge, deriva do verbo zeugen, gerar, produzir. Creio que ele menciona também nesta mesma nota que entre os hieróglifos egípcios, a testemunha era representada por um falo. De modo que o testemunho implica na geração de algo que é preciso sustentar, garantir, e no qual aquele que testemunha está implicado.
E se agora voltarem a me perguntar se é o fantasma que leva ao engano, diria que quando não se analisa o fantasma, o risco é passar do instante de ver ao momento de concluir obviando o momento de compreender.



por Luiz-Olyntho Telles da Silva

A ADOÇÃO UMA VISÃO DA PSICANÁLISE

ADOÇÃO
Algumas Considerações Interdisciplinares
"A Psicanálise ocupa-se do domínio das idéias;
estão aí incluídos pensamentos e sentimentos de todos os tipos".
W.R. Bion, "Two papers: the grid and caesura"
Escolhi essa frase de Bion para começar a pensar em que a Psicanálise e os psicanalistas podem colaborar com as pessoas que lidam diretamente com a adoção de crianças. Como podemos, profissionais das idéias que somos, auxiliar, não só na compreensão, mas em uma maneira mais adequada de viabilizar e promover esse processo tão complexo que é a adoção.
O tema da adoção toca a todos nós, pois nos reporta as nossas origens, reais e imaginárias, à fantasia da cena primária, à separação e perda, a um novo nascimento e, outra vez, a uma nova separação e perda.
Por diversos motivos, como a morte da mãe, ou por não ter sido suficientemente desejada por ela, a pessoa colocada para adoção sofreu a perda do objeto primeiro com quem, bem ou mal, teria a oportunidade de elaborar suas angústias esquizo-paranóides e depressivas. Tal perda se deu, não como feto que precisa nascer "para adentrar em uma vida pessoal", como dizia M. Buber, mas de fato e sem perspectiva de que uma relação emocional seja retomada, reparada e desenvolvida.
A adoção, envolve uma nova gestação — agora simbólica — e um novo nascimento, com a reedição da situação de separação e perda originais. Envolve a passagem de um imaginário familiar a outro, totalmente desconhecido, no qual não se foi gestado, do qual não se foi parido. As "agendas ocultas" são outras.
Além disso, a dicotomização da dupla parental que, como observa Danielle Quinodoz em sua análise do mito de Édipo, permite que se escape da complexidade da relação triangular, na adoção não se dá só como processo oriundo da fantasia. Ela é confirmada na realidade, o que traz complicações adicionais à elaboração do complexo de Édipo.
Nesse mesmo artigo, prossegue Quinodoz, " [...] se o mito deu a Édipo dois casais de pais foi para expressar uma tendência universal inconsciente de dicotomizar as imagos parentais e os afetos correspondentes (cada afeto dicotomizado correspondendo a um dos aspectos dicotomizados do objeto interno), a fim de evitar inconscientemente a ansiedade de castração e, de modo geral, a ansiedade gerada pelo conflito de ambivalência edipiana, e também para escapar ao sentimento de solidão frente ao casal parental".
Assim, enquanto que na criança que mantém uma relação suficientemente boa com seus pais intactos na realidade, a dicotomização exerce uma importante função de protegê-la das intensas angústias concernentes à elaboração da ambivalência edipiana, na criança adotada, a dicotomização enfrenta constantemente, em suas fases precoces, o ódio por ter sido abandonada na realidade, o remorso por não ter sido capaz de reter o objeto de amor e a culpa por tê-lo odiado e perdido.
Uma grande distância guarda essa fase inicial de outra muito mais avançada, que é a que permite o aparecimento da gratidão à vida, por ter-lhe permitido ser ‘escolhida’ e querida pelos pais adotivos .
Lembro-me de um rapaz de 17 anos que atendi que, devido à morte dos pais em um acidente de automóvel, foi adotado pelos tios paternos, quando contava 3 anos de idade. Demorou cerca de três anos de análise para que Daniel pudesse começar a elaborar um luto que parecia ter sido congelado em idade muito precoce. Era como se Daniel precisasse refazer, na análise, um percurso mental, bruscamente interrompido, de apego-desapego, e elaboração de fantasias arcaicas de abandono e de fragmentação, mas da ‘frente para trás’, fazendo o caminho de volta, para, quem sabe, sentir-se adotado e querido, ou mesmo parido, por mim. Porém, dava-me a impressão de que a experiência analítica com Daniel processava-se em uma ‘virtualidade’ qualitativamente diferente da de outros pacientes que, sem tais perdas reais tão dramáticas, vêem-se, portanto, menos intensamente confrontados com angústias semelhantes. A vida não tinha lhe dado chance. Nesse cenário de ameaças constantes, Daniel precisou de três anos de análise para me ‘adotar’ como sua analista.
É certo que esse paciente precisou se confrontar com ansiedades advindas de duas diferentes fontes: a morte repentina dos pais e a adoção por parte dos tios. No entanto, o que se observa nas pessoas adotadas, é que a adoção pressupõe sempre uma morte, mesmo quando os pais biológicos estejam vivos.
Um outro fator que complica a elaboração do ódio de um lado e do luto de outro, é a falta de informação que usualmente cerca uma adoção.
Popularmente sempre se acreditou que era melhor a criança não saber que era adotada para não se sentir ‘traumatizada’ e para que não fosse estigmatizada socialmente. Isso permitia e permite que uma situação de segredo ronde e cerceie a família e as pessoas próximas, envolvendo-as num pacto de silêncio, propício ao aparecimento de uma rede, no imaginário familiar, das mais diversas crenças e teorias.
Foi mais ou menos isso o que aconteceu com Daniel. Apesar de ele ‘saber’ de sua adoção, não podia falar sobre ela. Um mistério cercava a morte dos pais, e perguntar a respeito era algo sentido como muito perigoso pelos membros da família, capaz de desmantelar a ‘coesão’ familiar.
No início desta breve comunicação, me perguntava sobre como os psicanalistas poderiam contribuir com aqueles que lidam com crianças adotadas, com as famílias que colocam seus filhos para adoção e com as famílias que adotam.
Penso como Bion quando ele diz que nós devemos nos ocupar com a verdade, mesmo quando não temos idéia do que ela seja. E a psicanálise pode nos guiar nesse universo de sentimentos intensos, de dor, remorso, culpa e gratidão que demandam significado e que permeiam uma adoção.
É utilizando a escuta e a compreensão psicanalíticas e propiciando que a verdade seja enfrentada, que o analista pode colaborar para que as incertezas dos que lidam diariamente com a adoção, sejam melhor canalizadas e elaboradas, evitando muito sofrimento desnecessário. Daniel e sua família teriam sido mais felizes talvez, se pudessem ter conversado mais e guardado menos segredos.
Essa situação de manutenção do segredo, de não poder falar abertamente sobre a realidade dos afetos, preocupações e dores, pode, a meu ver, ser sustentada pela inadequada aplicação da lei que prevê a ‘adoção plena’. Em conseqüência desta lei, a criança adotada, pode nunca chegar a saber de sua condição, salvo por meio de ação judicial, pois não há nada em seus documentos como na certidão de nascimento por exemplo, que mostre a sua origem biológica.
Se há a intenção de garantir a igualdade entre os filhos — adotados e não adotados —, há por outro lado, o risco de que seja mantida, ou até encorajada, a ‘não-verdade’. "Entendo assim, que há a possibilidade de ser requerido mediante ação judicial, certidão da sentença que determinou a adoção e por que não de mais outras peças do processo?! Sem dúvida o legislador cancela o registro civil anterior, mas não elimina os vestígios e dados constantes do processo judicial de adoção. Pretende-se proteger a família (adotantes e adotado) da melhor forma possível e, segundo o legislador é cancelando o registro original do adotado". Como pode-se ver, só mediante uma ação judicial, isto é, por meio de um longo e, muitas vezes, penoso caminho, é que a pessoa que foi adotada, chega ao conhecimento de sua origem.
Tal circunstância pode favorecer a manutenção do preconceito e da crença que ‘saber a verdade, traumatiza’. Isto pode avalizar que sentimentos de ódio, remorso e culpa, mais intensos no caso de crianças adotadas e que fantasias de roubo, também mais presentes nos pais adotantes, sejam escamoteados. Uma conseqüência séria, poderá ser o aparecimento deficiente ou mesmo o não desenvolvimento da gratidão. Lembremo-nos daquele filme tão sensível "Verdades e Mentiras". Como foi importante para aquela moça adotada poder resgatar sua mãe biológica.
Um dos argumentos utilizados contra o ‘contar a verdade’, defende que, o quê importa não é a origem biológica, os pais biológicos, mas os pais afetivos e a relação que se estabelece entre os pais adotantes e a criança adotada. Trata-se da diferença entre paternidade e parentalidade. Sem dúvida, que a parentalidade e a relação emocional entre criança, pais e eventuais irmãos, é de extrema importância. Porém, penso que são dois fenômenos distintos, relativos a dois planos diversos e que não se excluem mutuamente. Ambos são necessários à constituição do imaginário individual, e a manutenção do ‘tabu’ em relação aos pais biológicos, só incrementa fantasias desagregadoras de cunho esquizo-paranóide.
Apesar de tudo isso poder ser óbvio para o analista, não o é para quem lida diretamente com questões relativas à adoção. Os representantes do Poder Judiciário, que é quem autoriza e formaliza esses novos vínculos, muitas vezes não têm noção dos efeitos psicológicos negativos de uma adoção mal conduzida.
Há outras situações importantíssimas em relação à adoção, que demandam nossa reflexão e um maior intercâmbio de idéias, e que dizem respeito à adoção por homossexuais e por pessoas solteiras, ou àquelas concernentes à fertilização in vitro, à inseminação artificial e à barriga de aluguel, por exemplo. Situações cada vez mais comuns no nosso cotidiano. O que teria a psicanálise a dizer sobre isso? Como poderíamos, nós analistas, estimular o debate, não para impedir ações desse tipo, mas para levantar considerações? Como poderíamos ampliar a observação de fatos relevantes que não são levados em conta muitas vezes? Como seria possível fomentar pesquisas a respeito de possíveis conseqüências para, até mesmo quem sabe, modificar as nossas teorias?
Penso que em todas essas questões, a nossa contribuição pode ser de valor. Trocar idéias, que para nós, como bem mostrou Bion, são transitivas e estão sempre em trânsito, com os profissionais do Direito, assim como com os do Serviço Social pode realmente servir de co-laboração. Trabalhar diretamente com as famílias e crianças envolvidas, ajudando-as a tecer vínculos mais claros e seguros, pode estimular o estabelecimento de relações mais verdadeiras e, porque não, mais felizes.